Cultura na Ordem do Dia – Sobre Demanda Espontânea, parte V
Finalmente a coisa da Cultura toma a pauta nacional. A nomeação recente de Roberto Alvim como novo secretário especial de Cultura do governo Federal, foi só o “abrir da porteira” de uma série de outras nomeações para ocupar os cargos de chefia das maiores instituições culturais do país: Funarte, Fundação Palmares, Biblioteca Nacional, Secretaria do Audiovisual, Secretaria de Fomento e Incetivo à Cultura (SEFIC), enfim.
Até então, o discurso presidencial, que representa parcela expressiva do pensamento conservador brasileiro, não tinha dado a sua cara quanto aos valores que reafirma para a cultura nacional. De uns dias pra cá foi uma “chuva de pérolas” com o histórico de declarações de cada uma dessas figuras que não vale a pena repetir. Aliás, parece que a intenção e estratégia é essa mesma. Polarizar a discussão. Emburrecê-la. Falem bem ou mal, mas falem de mim.
Eu juro, por mim mesmo, por Deus, por meus pais – que a pauta da Cultura NÃO é uma pauta negativa. Por mais que governo(s), imprensa, partidos, extremismos religiosos tentem demonstrar o contrário. Muito menos é uma pauta que só merece atenção mínima e alegórica em períodos pré-eleitorais. E sobretudo, não se trata de uma causa de meia dúzia de gatos pingados chorando migalhas de quem tem o domínio da máquina pública. Cultura é de todxs. Especialmente de quem pensa que não a tem. Não é exclusividade, nem especialidade do artista. Cultura é essa diversidade de tensões que nos atravessa enquanto indivíduos e sociedade: em crise... em crescimento... é na cultura que essas narrativas se confrontam. E também nela onde surgem alternativas sociais, ambientais, educacionais, econômicas, etc.
Sendo assim, é fundamental que a comunidade local participe da reunião extraordinária do Conselho Municipal de Cultura de Ilhéus; convocada em caráter de urgência para esse dia 04.12 (quarta-feira), no Palácio Paranaguá, às 18hs. Tendo como pauta o Fundo Municipal de Cultura e o edital Demanda Espontânea. Questões que nos dizem RESPEITO enquanto comunidade, brasileiros, cidadãos do mundo em exercício de cidadania e democracia.
O autor Edson Ramos integra a ação coletiva GuELA (Grupo Livre e Apartidário e Observação aos Direitos Culturais)